Mãe, eu sempre quis que você me olhasse

Quando você não se sente vista pela sua mãe.

A primeira casa de todo ser humano é o útero materno, onde ele se desenvolve protegido e seguro até estar pronto para enfrentar o mundo externo. O núcleo familiar é o primeiro ambiente social em que a pessoa se insere, e geralmente, serve como base para a formação de sua personalidade.

É através da relação com a mãe que aprendemos, inicialmente, a nos conectar com os outros. O nível de confiança e segurança transmitido por essa relação será o parâmetro que usaremos para nos sentir seguros ao confiar nas pessoas ao nosso redor. Embora não seja o único fator, essa conexão é extremamente importante.

Contudo, nem sempre a mãe está emocionalmente disponível para a criança. Diversos fatores podem influenciar isso, como questões não resolvidas de seu próprio passado familiar, traumas antigos ou até mesmo lealdades a ancestrais. Nesses casos, a criança pode se sentir sozinha, abandonada, ou invisível.

Uma criança que cresce assim pode desenvolver a crença de que não tem valor, de que não merece ser notada. Isso pode gerar dificuldades em se sentir confiante ou alcançar o sucesso, pois ser vista se torna um desafio. O único olhar que realmente importa para essa criança é o da mãe, e a ausência desse olhar pode ser devastadora.

As feridas relacionadas à mãe são profundas e precisam ser tratadas com cuidado, uma camada de cada vez, pois estão gravadas na alma. O problema com a mãe persiste enquanto o adulto continua a ter expectativas e exigências em relação a ela.

Eu gostaria de compartilhar uma experiência pessoal: por muitos anos, eu acreditava que minha relação com a minha mãe era ótima. No entanto, conforme fui me aprofundando no meu processo de autoconhecimento, percebi que, emocionalmente, eu me sentia “abandonada”. Apesar de minha mãe estar fisicamente presente em minha vida, eu a sentia distante emocionalmente, como se seu foco estivesse em outro lugar.

Foi somente por meio da filosofia sistêmica e das constelações familiares que consegui entender profundamente essa sensação e ajustar minha postura, pois isso impactava diretamente em como eu me posicionava em minhas relações pessoais e profissionais.

Existem muitos problemas em permanecer em um estado de carência em relação à mãe. Quando permanecemos conectados à falta, nos ligamos ao menos, à morte, e à escassez, o que pode resultar em perda de dinheiro ou até mesmo em danos à saúde.

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