Muitas vezes, a sociedade coloca a mulher como vítima e o homem como perpetrador em relações abusivas, mas o inverso também pode acontecer. A mulher pode ser a perpetradora e o homem a vítima. Para entender melhor esses padrões de comportamento, precisamos olhar mais a fundo o que está por trás das dinâmicas das relações amorosas.
Costumo falar sobre o arquétipo do feminino ferido, que pode se manifestar na mulher como heroína ou donzela. Essas mulheres geralmente têm um mundo interno muito machucado, vivendo em padrões de autoanulação por causa de dores profundas que vêm de seu sistema familiar. Elas podem estar tentando compensar questões relacionadas à figura paterna ou materna, ou assumindo responsabilidades pesadas dentro do sistema familiar, o que as deixa exaustas.
Essas mulheres, apesar de estarem fragilizadas emocionalmente, podem seguir dois caminhos: podem se tornar uma referência profissional, escondendo suas feridas por trás de uma imagem de sucesso, ou podem se anular completamente, tornando-se dependentes emocionalmente e vivendo na sombra do marido. Em ambos os casos, por estarem desconectadas do seu feminino, elas não se sentem seguras em quem são. Por isso, buscam constantemente provar seu valor, seja se posicionando como uma figura forte ou se envolvendo com parceiros que representem essa força na imagem, mas dentro da relação é agressivo.
Em muitos casos, elas acabam se tornando as próprias abusadoras, vivendo padrões internos de autoabuso. O relacionamento amoroso, nesse contexto, é um espelho que reflete todas as questões sombrias que precisam ser trabalhadas. No início de um relacionamento, a paixão que sentimos pelo outro é, na verdade, uma projeção da nossa autoimagem. Com o tempo, à medida que a paixão diminui, começamos a enxergar o relacionamento com mais clareza. E é nesse ponto que percebemos que atraímos aquilo que reflete quem somos internamente.
Por isso, mulheres que atraem relações abusivas são aquelas que precisam fortalecer seu feminino, seu mundo interno e suas emoções. Elas precisam se tornar seguras e conectadas com seu amor-próprio. Enquanto não reconhecerem o seu valor e não trabalharem essas questões, continuarão atraindo parceiros abusivos, pois estão, de alguma forma, perpetuando um ciclo de autoabuso.
No meu curso A Jornada das Deusas, mergulhamos profundamente nesses padrões de heroína e donzela, ajudando as mulheres a compreender por que repetem esses ciclos e a se reconectar com sua força interna para transformar suas vidas e relações.


